PENSAMENTO COLABORATIVO IDEALIZADO: A COLABORAÇÃO COMO VALOR

02 de Abril de 2020

Sem querer chover no molhado, se é que isso é possível, todos nós estamos vivendo um momento sem precedentes na história da humanidade.

Quarentena, confinamento, isolamento social, medidas restritivas à circulação de pessoas nas ruas e aglomeramentos humanos, shoppings fechados, fronteiras fechadas, sistema de saúde diante de um colapso, e por aí vai.

Tudo isso é novo para todos, inclusive para os governantes, e não estávamos preparados para uma situação dessa magnitude; acho que isso ficou evidente.

Estamos nos saindo bem? Olha, sinceramente, acho que sim. O sacrifício é grande, as restrições mais ainda, mas penso que nunca de maneira tão rápida, dinâmica e com proporções globais conseguimos mudar tantas coisas ao mesmo tempo, em diversas áreas, e com tamanha grandeza.  

Claro que sempre poderia ser melhor, e o intuito da campanha #legadocovid19 é justamente esse: pensarmos no que poderia ser melhor ao incorporarmos esse aprendizado para as situações futuras, seja evitando a repetição de erros que hoje cometemos, seja simplesmente melhor nos preparando para enfrentar uma pandemia global de idênticas proporções ou de proporções ainda maiores. Vai saber, né!?

Vejo vários legados em muitas áreas distintas, uns com maior impacto, outros com impactos menores, mas que, se somados, certamente farão toda a diferença no combate ao inimigo invisível.

Eu escolhi o pensamento colaborativo como legado para tratar com vocês, pois ele é tão abrangente e pode ter um significado tão importante e impactante para várias pessoas, cidades, estados, países, continentes... 

E não vamos diminuir o tema para economia colaborativa, ou ação social colaborativa, etc. Sejamos amplos! Sem fronteiras... Assim como o mal que o vírus trouxe não tem fronteira, proponho que o bem de um pensamento colaborativo também não esbarre em fronteiras intelectuais ou seja encapsulado em nichos rotulatórios. 

Essa segmentação inútil talvez seja justamente uma das grandes barreiras do pensamento colaborativo, que nos indica um sentido específico e no subconsciente nos faz resolver o assunto dentro de nós: “Eu já exerço o pensamento colaborativo; disponibilizo conteúdo gratuito na web, então tá bom...”. NÃO! Não tá bom, porcaria nenhuma! (rsrsrsrs)

O novo bom tem que expressar uma vida colaborativa no todo. Exercer a colaboração em todas as esferas que se possa imaginar. Pensar nisso, ter essa premissa internalizada como os dogmas que a maioria de nós tem estruturado dentro de si. Como um valor maior. Exemplo: não matar, ser honesto, o amor incondicional da mãe com seu filho, coisas assim, moralmente sólidas e lapidadas no inconsciente coletivo como certas. 

Pensamento colaborativo tem que ir para as salas de aula, igrejas, empresas e engrenagens públicas. 

Mas o que é o pensamento colaborativo? Pô, você que está lendo esse texto certamente sabe o que é, só falta falar para si mesmo.

Ir no supermercado num dia chuvoso e se oferecer para fazer as compras daquela vizinha de anos, que hoje está velhinha, é ser colaborativo. Não precisa de uma pandemia para esse ato de colaboração acontecer. 

O carro da frente está dando sinal de que precisa entrar na faixa pela qual você está conduzindo seu veículo. Dar espaço, frear por 3 segundos e deixar ele entrar, é ser colaborativo.

Ter uma condição econômica privilegiada e deixar de pechinchar com aquele vendedor de beira de estrada que claramente vive em condições precárias, trabalha de domingo a domingo, é ser colaborativo.

Exigir do outro um prazo adequado, dentro da sua possibilidade, ao invés de um prazo exíguo para te deixar em uma posição mais confortável com relação a tua própria necessidade é ser colaborativo.

Deixar de implicar com coisas bobas que os outros fazem e não refletem em nada de ruim para ninguém, não provocar as pessoas com a finalidade de desestabilizá-las emocionalmente (principalmente quem você gosta), deixar de fazer comentários maldosos ou fofocas que nada contribuem para ninguém, ser mais tolerante com as escolhas dos outros e respeitar as diferenças entre nós... Isso é colaborar com o outro, e assim você também será impactado, em uma cadeia que se auto alimenta e eleva o nível de todos para melhor, diminuindo a tensão social e possivelmente aumentando a imunidade coletiva.

Ações e omissões que possam colaborar ou ao menos não atrapalhar a vida pragmática ou emocional de alguém fazem parte do pensamento colaborativo idealizado.

Imaginem o tamanho do impacto de ações ou omissões nesse sentido em termos globais? 

Quanto menos stress, ansiedade, depressão? Quanto menos carbono seria gerado? Quanto mais lixo seria reciclado? Quanto mais metas seriam batidas? Quantos negócios seriam fechados? Quanto mais conforto isso geraria na vida daqueles que menos tem? Quanto mais leve seria a vida nas grandes cidades? Quanto menos ódio seria gerado? 

Uma reação em cadeia também pode ter efeitos positivos, só precisamos acertar naquilo que estamos propagando.

Fácil ou difícil? Não sei, mas o momento é propício para refletirmos sobre a colaboração como um valor dentro de cada um de nós, e, como vetores desse valor, propagarmos ações ou omissões que efetivamente colaborem com o outro e, com isso, colaborem com o todo, ou seja, com nós mesmos.

Rafael Cajal

Sócio do Negócios Jurídicos


Conheça a campanha Legado da Covid-19, uma série de artigos elaborados pela equipe Negócios Jurídicos em colaboração com os nossos parceiros.


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